A influência de efeitos, filtros e presets na fotografia.

Participando de um grupo no Flickr surgiu a polêmica questão: até onde vai o bom senso do fotógrafo na hora de editar imagens? A discussão começou através da famosa foto do presidente americano Obama olhando pro traseiro de uma brasileira. Vendo o vídeo ( colunistas.ig.com.br/fronteiralivre…causa-polemica/ ) do momento, percebe-se claramente que ouve uma inverdade no que a foto representou.

O objetivo aqui não é entrar nesta questão em si. Muito já se falou sobre edição de imagens ou interpretações errôneas. E isso todo mundo sabe que não é correto. O que proponho neste texto é falar sobre outro tipo de alterações na imagem.

Programas como o Photoshop e, mais recentemente o Lightroom, caíram no gosto dos fotógrafos. O que me preocupa é até que ponto uma edição pode ser considerada correta, e a partir de qual momento ela se descaracteriza. Não quero citar colagens, montagens. Quero debater sobre os efeitos, os filtros do Photoshop e os presets do Lightroom.

Dar uma calibrada na saturação, brilho, contraste, enfatizar o azul do céu ou o verde das montanhas é tranqüilo, ta tudo bem. Corrigir o balanço de branco, aumentar ou diminuir a exposição e mudar um pouco a temperatura, beleza. São alterações leves, que deixam a foto mais bonita visualmente e não atrapalha nem muda o contexto em que foi feita.

Mas e se você resolve exagerar? Aumenta muito o contraste, diminui o brilho, muda completamente as cores dos objetos, da camisa do sujeito… E aí, ainda e válido? Sim, não, por que? Independete da resposta, ok. Foi você quem fez manualmente as alterações

Vamos aumentar ainda mais o exemplo. Você baixou diversos presets, abriu a foto no Lightroom e simplesmente aplica o tal preset. Beleza, a foto é sua porque foi você quem fotografou. Mas você aplicou um efeito que já estava pronto, nem teve trabalho pra isso. E aí? Você faz isso tranqüilamente, não vê nenhum problema? Ou, assim como eu, eventualmente usa estes presets mas fica com um incômodo na consciência, como se a foto fosse “um pouco menos sua” por isso?

Toda vez que uso um preset sinto essa sensação de inverdade comigo mesma. Embora saiba que não estou cometendo nenhum pecado.

E você, o que acha disso?

13 Replies to “A influência de efeitos, filtros e presets na fotografia.”

  1. Léo Vintage

    Edição também é arte e criação. Claro, muita coisa que se faz na edição, também se faz no estúdio, mas senão tiver um… Alguns editores fazem verdadeiras obras de arte. É so dar uma pesquisada pra ficar babando. Para o fotógrafo iniciante, a edição é fundamental para não perder trabalhos e sacar quais são os erros que estão sendo cometidos, na hora do clique pra ir lapidando e ajuda a ter novas idéias até mesmo visando uma edição artística, criativa.
    Você pode não ter fabricado ou criado o pincél, a tinta, a tela, os personagens e objetos, mas a pintura que você faz com eles ainda é seu. Agora, se ainda não está no ponto técnico e artísco criativo adequado, aí já é uma outra história.

  2. Léo Vintage

    Você pode não ter fabricado a caneta o papel, a impressora o computador. Mas as poesias que criou com eles ainda são seus. Pode não ter fabricado o cavalete, a tela, a tinta e o pincel, mas a pintura que criou ainda são seus. Ferramenta é uma coisa, criação é outra. Gratidão aos criadores das ferramentas e na boa, edição também é arte.

  3. Zé Barretta

    olá! acho sempre interessante essa discussão sobre photoshop e gostaria de colocar minha opinião tb.
    Primeiramente, conhecendo um pouco de história da fotografia, sabemos que retoques existem desde os primórdios, o digital apenas facilitou e popularizou o tratamento.
    Acho que o tratamento é uma extensão da fotografia, algumas vezes usado apenas para dar um ‘up’ na foto, outras vezes usado como um elemento a mais de criação. Acho que para cada situação (fotojornalismo, casamento, publicidade, autoral, etc) tem um limite adequado para a aplicação do tratamento, vai do bom senso e da tecnica do fotógrafo. o que fica feio é o exagero, na minha opinião.
    quanto aos presets, nada mais democrático. essa é a grande vantagem da internet e seus fabulosos recursos. usá-los ainda continua exigindo conhecimento e bom senso por parte do fotógrafo.
    Para finalizar acredito que tratamento de imagem não existe para consertar foto com problemas, mas para extrair o máximo que uma imagem pode oferecer.
    é isso aí.
    Feliz Natal e um 2010 com mta alegria a tds.

  4. Gustavo Bresolin

    Bueno…primeiramente muito bom o blog, meus parabens ;)

    Eu entendo esse lado mais purista que você está expondo, mas fecho com o márcio, acho que a fotografia tem muitos ramos, e os exemplos que ele citou acho válido o tratamento mais “pesado”.

    Estou fotografando mais a fundo a uns 4 anos, primeiro nunca editava as fotos, nadica….
    Nao por purismo, por preguiça e porque só eu olhava minhas fotos.
    O interesse por fotos foi aumentando, internet, flickr, blogs…
    Enfim, usava o gimp para ajustes de niveis, contraste e afins…
    Recentemente adquiri uma DSLR e agora estou fotografando em RAW. Edito todas fotos no lightroom, na maioria faço retoques básicos, e em algumas retoques mais fortes e outras presets. Mas sempre que uso um preset, dou o meu toque ao preset…

    Acho que o fato de termos programas para este fim não termina com a necessidade de o fotografo saber o que está fazendo, ou seja, saber conceitos mínimos e básicos de fotografia(ISO,abertura,velocidade,regra dos terços…)
    O que quero dizer com isso? Não basta um tratamento pesado se a fotografia nao transmitir nada.
    Jamais tiro a foto já pensando no tratamento que darei a ela…isso é pra depois, o que me importa é o enquadramento, armonia da foto.
    Obviamente que sempre procuro ajustar a camera da melhor forma possivel, mas neim sempre acertamos tudo na foto e ae que entra os softwares de edição.
    Uso e não escondo que uso, é o minimo que se pode fazer. Desculpe o post longo, abraços

  5. mandinhabhz

    Com certeza, Marcio. Que bom seria se todos nós tivéssemos grana pra investir em equipamentos top de linha! hehe. Como disse no tópico, não vejo nada de mais ‘dar um tapa’ na exposição, contraste, saturação… Estas são mudanças básicas, você não está necessariamente mudando a foto, está só deixando-a mais bonita visualmente, com levíssimos ajustes.

    O que me incomoda são as mudanças pesadas, modificando muito a foto. Ou como no caso dos presets, onde você usa algo que já estava pronto, você só baixou e aplicou. Fica uma coisa ‘não-sua’.

  6. Marcio Toledo

    Essa discussão eu acho muito interessante, o domínio da técnica da fotografia e grana pra comprar equipamentos melhores, ajuda você a modificar menos as fotos.

    Recentemente fui cobrir um evento da empresa que eu presto serviços de design, estava com uma 50D e uma lente 28-135 3.5-5.6 e um Flash 430 EX II eu simplesmente tive que dar um “tapa” em praticamente todas as fotos. Além de ter usado um ISO muito alto 800 – 1250. Ou seja foi necessário aumentar um pouco da exposição e contraste em quase todas as fotos por conta do que? Limitação de equipamento, se estivesse com uma lente mais clara ($$$) eu talvez não precisaria dar um tapa nem em 20% das fotos.

    Como você vê isso? Não domino técnicas avançadas de iluminação, eu simplesmente acho que estava limitado por equipamento então precisei “acertar” na pós-produção. Talvez na época do filme isso seria feito no laboratório, forçando um pouco mais o tempo ou usando uma técnica para “melhorar” as fotos.

    Atenciosamente,
    Marcio Toledo.

  7. mandinhabhz

    Agradeço todos os comentários!
    É Marcio, pra você e para os que trabalham com design, photoshop e afins há anos, a coisa flui mais fácil, já estão acostumados. Entendi seus exemplos, mas acho que eles estão mais pra coisas eventuais. Uma foto quadrada pode ficar bacana, nada impede que vc faça um crop. Blz, nada demais. Você não esta descaracterizando o momento, não esta modificando as cores nem o foto em si.

    Sobre foto em p&b com algum elemento colorido (o chamado cutout) tb acho bem bacana! Mas são eventos que não ocorrem sempre, é numa ou outra foto somente. O que me incomoda é você fotografar um dia todo (seja passeio, evento, festa, casamento..) chegar em casa e baixar as fotos direto pro Lightroom, editar uma por uma e so depois colocar no pc. Fazer isso sempre, com todas. Isso realmente ainda me incomoda um pouco.

    Quando fizer seu blog, avisa aqui! Vamos sim trocar figurinhas!
    Abraços.

  8. Marcio Toledo

    Eu vejo como uma extensão do trabalho fotográfico, claro que isso depende do tipo de trabalho fotográfico, se for um fotojornalismo, acredito que manipulação é algo que descaracteriza o fato a ser retratado. Agora para trabalhos como artistico, experimental, casamentos, etc realmente vejo como uma extensão.

    Um exemplo que usei anteriormente comentando em outro blog é o seguinte:
    Esquece manipulação e ajustes, faço uma foto e posteriormente identifico que um corte quadrado é interessante. E ai ? Eu deveria ter uma câmera de formato diferente para fazer essa foto?

    Outro exemplo:
    Quero manter um elemento colorido e o restante em pb fica um efeito muito interessante, como já vi em posters pendurados em lojas como McDonald’s, é uma extensão do meu trabalho fotográfico, estou experimentando, estou colocando um pouco de Design na fotografia.

    Bom essa é uma simples opinião minha, e talvez pouco relevante por eu trabalhar com design e direção de arte a 6 anos e photoshop no mesmo tempo.

    Em breve vou atualizar meu site pessoal e quero colocar um blog, vamos trocar figurinhas.

    Atenciosamente,
    Marcio Toledo.

  9. Mau

    Outro dia comentei esse assunto com o amigo. Sou iniciante no hobbie (não pretendo atuar como profissional), e sempre ficava injuriada. Tenho uma máquina legal, regulava, mexia, seguia as dicas e mesmo assim as fotos nem chegavam perto daquelas que eu sabia que eram de amadores, com máquinas até inferiores à minha. Perguntei a ele: será que essas fotos são puras ou o pessoal tá retocando? Ele me disse que as pessoas davam um retoquezinho sim, como esses que você citou, e que isso é normal. Mesmo assim fiquei meio decepcionada. E assim como você, se eu faço isso, sinto que estou querendo enganar a mim mesma, que não sou “autora” de verdade e tenho até vergonha de exibir a foto. Aos poucos estou relaxando e começando a pensar que faz parte…
    Adorei seu blog, viu?
    Beijim!

  10. Maria Rita

    concordo que alterações tipo contraste, balanço,… são úteis para realçar a fotografia. Mas “grandes” alterações, tiram a “alma” da fotografia

  11. lcss

    esse uso exagerado só ajuda o fotógrafo (se é que possamos assim chamar, nesse caso) a tirar a foto de qualquer maneira, sem que haja uma preparação..ele nem pensa mais na foto, qual o melhor angulo, abertura…
    ele age automaticamente e dispara a câmera pra todos os lados, e so vai trabalhar nela depois. entao ele seria um editor de imagens, nao um fotografo.

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