Tabuleiro – visita à Cachoeira de Congonhas e Poço Pari

Em dezembro do ano passado estive por alguns dias em Tabuleiro, um vilarejo distrito de Conceição do Mato Dentro, que faz parte da Estrada Real e está localizada a 185km de Belo Horizonte, com aproximadamente 405 moradores.

A viagem já começou em ritmo de aventura. Após passar por Conceição do Mato Dentro, o meio de acesso a Tabuleiro é por estrada de terra. BEM esburacada e estreita. E chovia pra caramba. Caminhonetes e jipes passavam por nós, jogando lama pra tudo que é lado. E a gente feliz e contente dentro de um palio. Pra completar, erramos absurdamente o caminho e fomos parar onde o Judas perdeu as botas, sendo obrigadas a voltar pelo mesmo percurso.

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Depois de finalmente chegar na cidade,  já de noite, escuro e debaixo de chuva, fomos procurar pousadas pra ficar. Já tínhamos olhado algumas na internet, mas resolvemos ir na cara e na coragem, sem nada fechado. Acabamos achando um albergue da juventude –  (Tabuleiro Eco Hostel) muito bacaninha e super bem cuidado, cujo dono é bem atencioso – e ficamos por lá.

Por estar chovendo e a cidade ser conhecida pelo turismo de aventura, estava completamente vazia de turistas. Nos dois primeiros dias, ficamos esperando a boa vontade da chuva. Quando ela amenizava, íamos dar uma volta pelo vilarejo. Em uma dessas oportunidades, fomos conhecer o Parque Natural Ribeirão do Campo , que é onde fica abrigada a Cachoeira de Tabuleiro – maior de Minas e a 3ª maior do Brasil!

Tabuleiro, a cachoeira mais alta de Minas Gerais e 3ª mais alta do Brasil.

No parque conhecemos o Rodrigo (Pará). Como sugere o apelido, ele nasceu no Pará, veio pra Minas Gerais, formou em Ecologia e agora trabalha no parque. Comentamos que queríamos conhecer pelo menos uma das várias cachoeiras que tem na região, e ele se ofereceu para ser nosso guia. Ficou combinado que, caso não chovesse, ele iria nos buscar na pousada no dia seguinte, para irmos até a cachoeira de Congonhas. À noite, fizemos um churrasquinho com o dono da pousada, jogamos sinuca e baralho até cansar!

Partimos então rumo a cachoeira. Logo no começo já deparamos com paisagens maravilhosas. A natureza naquele lugar é realmente privilegiada! Andávamos e parávamos pra clicar. Um ponto que devo ressaltar é o fato do nosso guia ser jovem, estudado e conhecedor do local. Já fiz outras trilhas em que os guias somente nos guiavam, sem falar uma palavra ou respondendo monossilabicamente. Desta vez, o Rodrigo foi nos ensinando sobre as peculiaridades do local, informando sobre o cotidiano dos moradores, os problemas enfrentados com a comunidade após a criação do parque, a mudança que eles foram obrigados a sofrer, dentre várias outras informações pertinentes.  No começo do percurso recebemos a companhia de uma linda cachorrinha. Achamos que ela ia cansar logo, mas foi com a gente até o fim.  Passou por alguns apertos, já que tivemos que atravessar rios e ela não nos deixava carregá-la. Foi o nosso mascotinho.

Por ter chovido bastante por vários dias anteriores, a trilha estava bem desgastada, dificultando o trajeto. Em algumas partes a mata estava bem fechada e a gente tinha que passar por entre as folhas altas e cortantes. Tivemos também que atravessar 3 rios, com água quase na cintura e correnteza forte.

Em certo momento começou a chover forte, e tivemos que parar durante algum tempo debaixo de uma pedreira. Resultado: 2 horas e meia de caminhada até finalmente chegar na cachoeira.

Cachoeira Congonhas no distrito de Tabuleiro/MG.

Assim que chegamos até esquecemos o cansaço e vimos que tudo aquilo valeu muito a pena. A cachoeira é maravilhosa! 173 metros de altura e, devido às chuvas, o volume de água era imenso. Ficamos um bom tempo apreciando o local, curtindo aquela energia maravilhosa que nos faz ter certeza de que Deus existe. Infelizmente não deu pra fotografar a cachoeira de perto, pelo risco de molhar a câmera. Por isso não deu pra registrar o poço que se forma com a queda da cachoeira – onde ficamos um bom tempo andando – nem a luz indecente de tão bonita que se forma com os raios do sol refletindo na queda d’agua.

Depois de muito curtir o lugar, hora de voltar. Afinal ainda teríamos mais 2hs e meia de caminhada. Chegamos na cidade exaustos (tivemos a sorte de, chegando no centro do vilarejo, estar passando um ônibus escolar. Pegamos carona nele pra subir o restante do morro!) com várias marcas e arranhões pelo corpo. Mas com aquela sensação deliciosa que fica sempre que temos um contato maior com a natureza. Banho e dormir!

De noite ainda tivemos fôlego pra participar de um animado momento de interação com um pessoal que apareceu na pousada: o dono de lá, nosso guia, uns amigos e um casal com seu filhinho. Muita conversa sobre meio ambiente (que é com o que todos trabalham), troca de informações e aprendizado, regado a vinho e a velha e boa cervejinha.

No outro dia fomos conhecer o Poço Pari, outro lugar agradável que a cidade oferece, ótimo pra nadar. Lá conhecemos 2 ‘turistas’ super bacanas, que se juntaram ao resto da turma. À tarde, fomos conhecer a casa de uma família moradora do vilarejo. Uma família típica do interior, muito educados e querendo nos oferecer o melhor. Eles tem uma plantação grande de abacaxi docíssimo, que comemos maravilhados. Tudo isso enquanto fotografávamos a família. Prometi que voltarei um dia (em breve, se possível!) levando as fotos reveladas, como presente pra essa família que nos recebeu tão bem.

E, finalmente e infelizmente, chega o dia de voltar pra casa. Além de fotos, a gente volta com aquela felicidade de ter conhecido mais um lugarzinho desse mundão de meu Deus e várias pessoas fantásticas que acrescentaram um aprendizado enorme em nossa vida. O que aumenta ainda mais meu prazer de viajar, e fica na cabeça planos de viagens futuras.

No caminho de volta, ainda pudemos parar o carro por alguns minutos pra registrar a paisagem maravilhosa até na estrada. E como vocês já sabem, no Flickr tem muito, muito mais fotos da viagem!

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