Parabéns a todos os jornalistas, com homenagem aos fotojornalistas.

Hoje é dia do Jornalismo. Como estudante de comunicação, tenho vários amigos jornalistas. Acompanho-os diariamente, seja na faculdade ou através do Twitter. Admiro demais o trabalho do pessoal, que ainda hoje precisa lutar pela liberdade de imprensa, e cada vez mais fazem um trabalho ético. Aproveito este espaço para parabenizar a todos, das mais diversas áreas.

Mas como fotógrafa, vou me permitir fazer este post em homenagem a alguns fotojornalistas. Só que quero falar daqueles casos extremos, onde o que está em questão é a luta pela sobrevivência em casos como guerra, fome, miséria e catástrofes naturais. A parte mais dura do fotojornalismo.

Acredito que a foto que vem à cabeça de todos quando falamos em fotojornalismo extremo é a do fotógrafo sul-africano Kevin Carter. A foto foi feita em 1993 no Sudão, e retrata uma garota faminta se rastejando para tentar chegar em um campo de alimentação da ONU, distante 1km dali. Atrás da criança, um urubu pressente a morte e aguarda seu futuro alimento. Kevin contou que ficou cerca de 20 minutos esperando o urubu ir embora. Como isto não aconteceu ele fez a foto, espantou o urubu e saiu correndo dali. Publicada pelo jornal New York Times, ganhou o famoso Prêmio Pulitzer em 1994. Acho que todos sabem o que aconteceu um ano depois. Kevin entrou em profunda depressão por não ter feito nada pela menina e se matou. Um trecho de sua carta de suicídio: “…Eu estou sendo perseguido pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor… pela criança faminta ou ferida… pelos homens loucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policial, assassinos…”. Outra frase dele: “Um homem ajustando suas lentes para tirar o melhor enquadramento de sofrimento dela talvez também seja um predador, outro urubu na cena.” Kevin tem outras fotos igualmente trágicas, inclusive com pessoas em chamas. Dramático.

A foto que mais me encantou (e imagino que teve uma grande parcela na minha paixão por fotografia) é a do fotógrafo Steve McCurry. Lembro até hoje: eu era bem novinha e ficava horas vendo a coleção de revistas National Geographic que meu tio ainda tem. Quando vi esta foto, fiquei hipnotizada com o olhar da menina. É aquele tipo de olhar que diz tudo. Ela era uma refugiada afegã que estava vivendo no Paquistão, fugindo da ocupação soviética em 1984. 17 anos depois dessa foto ter sido feita, Steve McCurry encontrou a personagem de sua foto mais famosa. Ela até então não sabia de toda a repercussão que sua foto obteve. É considerada a foto mais famosa de toda a história da National Geographic. (Para saber mais detalhes da história da foto, e do reencontro do fotógrafo com a mulher, clique aqui.)

Outra foto famosa é a do fotógrafo Frank Fournier, em que ele registra uma menina que estava há 3 dias presa até a cintura em entulhos e muita lama, após um deslizamento causado pela erupção de um vulcão. Frank contou que havia várias outras pessoas em situação semelhante e que os funcionários de resgate tentavam sem muito sucesso ajudar essas pessoas. Aproximadamente 3 horas após a foto ser feita, a menina morreu. Mas diferentemente de Kevin Carter, Frank Fournier sabia que nada podia fazer para ajudar a garota. Ele disse: “Eu senti que era importante que eu registrasse a história e eu fiquei mais feliz pelo fato de ter havido alguma reação. Teria sido pior se as pessoas não tivessem se importado. Eu sou muito claro sobre o que eu faço e como faço e eu tento fazer o meu trabalho com o máximo de honestidade e integridade possível. Eu acredito que a fotografia ajudou a levantar dinheiro de todo o mundo e ajudou a destacar a irresponsabilidade e a falta de coragem dos líderes de governo. As pessoas ainda acham a foto perturbadora. Isso destaca o poder duradouro dessa pequena menina. Há centenas de milhares de Omayras pelo mundo – histórias importantes sobre os pobres e os fracos –, e nós, fotojornalistas, estamos lá para criar a ponte.”

Como último exemplo, deixo aqui um vídeo que foi divulgado dia 05, mas aconteceu em 2007, durante a guerra no Iraque. Soldados americanos a bordo de um helicóptero avistam pessoas que julgam estarem armadas. Em conversa por rádio, ouvimos o soldando praticamente implorar permissão para atirar. Quando esta lhe é dada, os soldados comemoram por terem causado mais matança. Posteriormente, com a divulgação do vídeo, fica claro que as pessoas não eram terroristas. Era, na verdade, o fotógrafo da agência Reuters, portando uma teleobjetiva.

Agora eu gostaria da opinião de vocês. Teriam coragem de fazer este tipo de trabalho? O que acha que este tipo de foto representa para a sociedade? Quais são os benefícios dos impactos causados por elas?

Eu acho importantíssimo, são estas pessoas que mostram para o resto do mundo o que está acontecendo em determinados locais. É através destas fotos que a gente tem condições de unir forças e lutar para que as coisas mudem, que a situação destas pessoas melhorem e o mundo fique um pouco mais justo e digno de viver. Mas eu, com toda a certeza, não tenho sangue, coragem e alma suficiente pra isso. Entraria em depressão em menos de uma semana. Não teria a mínima coragem de disparar o obturador diante destas situações.

Para finalizar, indico um documetário que ainda não vi, mas parece ser interessantíssimo: War Photographer. Mostra o trabalho do fotógrafo de guerra James Nachtwey. Logo na capa, vemos o fotógrafo deitado no chão durante uma batalha, para registrar o momento. Ele dá diversos depoimentos sobre sua profissão. Com certeza vale a pena ser visto, ao menos para conhecermos o ponto de vista desses profissionais.

2 Replies to “Parabéns a todos os jornalistas, com homenagem aos fotojornalistas.”

  1. Edilane Pereira

    Amei seu post,sobre o fotojornalismo,sou estudante de jornalismoe pretendo trabalhar na área do impresso,particularmente acho que não tenho talento para a fotografia,mas ainda siim sou uma apiaxonada,pelo fotojornalismo,e gostaria de te parabenizar pelo trabalho de divulgação de um arte,que é triste,cansativa,mas reflexiva e nos faz perceber,que o mundo seria melhor se as pessoas fossem mais reflexivas.Viva a artistas como KEVIN CARTER….

  2. Léster

    Soy cubano y ojala entiendas el español, leí tu artículo sobre los fotoreporteros (jornalist), es exelente y además coinsido contigo 100%. Soy fotógrafo hace más de 10 años, aunque me interesa mucho la publicidad, mis inicios fueron en el reportaje documental y nunca he podido escapar de él. Creo además que es una rama de la fotografía muchas veces incomprendida y mal vista. Creo que, valor y humanidad, se resumen en este tipo de trabajo lejos de, técnicas y tecnologias, el ojo del fotógrafo está siempre por encima de esto.

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