Pearl Jam -um show espetacular em BH e grande desorganização da cidade e organizadores.

Na última sexta-feira a banda Pearl Jam fez um show espetacular em Belo Horizonte. Toda a simpatia e carisma que sempre admirei na banda se elevou ao máximo! O Eddie Vedder é um cara espetacular, foi pro meio da galera e tentou falar português algumas vezes. Muito além do boa noite e obrigado, leu (ou tentou, muito fofamente) textos inteiros, um deles inclusive falando sobre a tragédia do rompimento da barragem em Mariana, já dita aqui anteriormente. O vocalista dedicou a música Do The Evolution à cidade, cobrou punição aos responsáveis e anunciou a doação do cachê do show às vitimas. Muito legal ver como tentou se comunicar com o público na nossa língua. Se eu já era fã, depois dessa noite fiquei muito mais.

Se o show foi espetacular, o mesmo não se pode falar da organização não só do evento, como da cidade como um todo. Muito se fala sobre BH não sediar muitos shows de grande porte, e na sexta-feira ficou muito nítida a falta de estrutura da cidade de receber estes shows. Foi complicação do início ao fim, para chegar e sair do evento, começando ainda longe do Mineirão, local do evento.

Eu trabalho na Savassi até as 19hs e o show estava marcado para as 20:30hs, tempo mais do que suficiente para percorrer os menos de 25km de distância entre um lugar e outro. Mesmo de ônibus, que foi a forma como preferi encarar a aventura, já sabendo que de carro poderia ser pior, uma vez que as avenidas de acesso ao estádio ficam totalmente congestionadas em dias de evento, enquanto o ônibus passa pela pista exclusiva.

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Já chegando no ponto, vi que seria mesmo uma aventura: ponto lotaaaaado. E logo entendi o motivo, o ônibus que deveríamos pegar estavam passando todos já lotados, e nem paravam. Logo ali perto tem um ponto de táxi, mas não havia nenhum carro. Busquei os aplicativos de celular, de táxi e o Uber. Nenhum disponível. Depois de cerca de meia hora esperando em vão, resolvi andar até o ponto de cima, um pouco longe e debaixo de chuva. Mas era isso ou perder o show.

Subi, o ônibus passou mais vazio, entrei. Aí outra dificuldade, trânsito parado e 1 hora para percorrer 10km, até finalmente pegar a pista exclusiva. Mais alguns minutos e enfim, Mineirão! Nisso já era mais de 21 horas e o show já tinha começado a alguns minutos. Lá vou eu procurar a entrada, feliz achando que logo veria o lindo do Eddie Vedder. Doce ilusão. Após passar pela primeira entrada, tive que rodar o Mineirão quase todo para finalmente achar a entrada do meu setor, arquibancada. E rodar o Mineirão quase todo não é brincadeira, já que o estádio é enorme!

Quando, depois de todo esse tempo, finalmente conseguimos arrumar um bom lugar, já tinha mais de meia hora de show rolando. Se fosse show de uma banda “normal”, que costumam fazer 1 hora e meia de show, eu já teria perdido 1/3 do evento! Sorte que era Pearl Jam, famosos por fazerem 3 horas de show, e desta vez não foi diferente. Show lindo! Mas bateu a fome, vamos lá comprar algo. E aí vem mais uma aventura.

Filas. Enormes. Gigantescas. Em cada bar, apenas 1 funcionário no caixa. Mais meia hora de show perdido. Ok, voltei pro meu lugar e continuei a ver aquele show maravilhoso até o fim. Hora de ir embora, ou de tentar.

A cada 5 saídas, apenas 1 aberta. Todo aquele contingente de pessoas que estavam espalhadas em torno de 5 saídas, saindo só por uma. Empurra empurra, falta de ar. Tentei pegar o celular na bolsa para filmar aquela loucura, mas sem chance, não dava nem pra mover. Ia andando levada pelas pessoas escada abaixo. No dia seguinte vi gente falando que em outros locais, a galera só conseguiu sair depois de derrubarem um portão à força.

Chegando na rua, já estava esperando a mesma luta para ir embora e fui caminhando para tentar pegar um táxi na avenida mais distante, quando vi um ônibus que passa perto da minha casa. Oba, entrei. Aí mais 1 hora para descer apenas 2 quarteirões.

De tudo isso fica a pergunta: será que não dá pra evitar todos estes transtornos? BH já não recebe muitos eventos de grande porte e shows internacionais, será que nessas poucas vezes não é possível planejar um esquema de trânsito, disponibilizar vários ônibus especiais e talvez até um trajeto “exclusivo” tanto para o começo quanto final do show? Quem foi de carro reclamou dos mesmos problemas, é uma coisa geral.

A empresa que organizou o show é super tradicional e já deveria estar mais do que ciente de todos os problemas. Não era mais fácil colocar avisos facilitando a entrada? Se eu tivesse ido para a esquerda desde o começo, não precisaria dar a volta em quase todo o estádio. E será que não dava pra colocar mais caixas em cada bar, ao invés de um único atendente? Espaço, tinha! Que tal um caixa só pra quem quer pagar em dinheiro, ao invés de cartão?

São soluções tão simples, mesmo leigamente falando, que só consigo pensar que é falta de vontade e interesse em facilitar as coisas para quem quer curtir um bom show – ou qualquer outro evento de grande porte.

A gente consegue, BH! Que tal no próximo evento mostrar que você já é gente grande e faz tudo bonitinho?

Apesar de tudo isso, foi incrível graças a essa banda sensacional! Valeu, Pearl Jam! Voltem sempre!

 

One Reply to “Pearl Jam -um show espetacular em BH e grande desorganização da cidade e organizadores.”

  1. Armando Siebler

    Acho que o problema é que as empresas de eventos em Belo Horizonte são como as autoridades,que vem dos órgãos públicos que deveriam trabalhar coordenados com ditas empresas, mas não o fazem para não ter que gastar, ou investir como prefiro pensar. Ai, como sempre, sofre o povo, que aceita tudo e valoriza assim mesmo.

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