Mulheres, não se intimidem. O mundo é nosso também!

Ao contrário das outras datas comemorativas, que surgiram com o único objetivo de homenagear alguém, o Dia Internacional da Mulher foi criado em contexto de luta. Aquela famosa história de trabalhadoras de uma fábrica de tecido que protestaram por melhores condições de trabalho, redução da jornada e equiparação salarial e que, em resposta, foram trancadas na fábrica e morreram carbonizadas. Parece história de filme de terror mas infelizmente é real, relativamente recente e o pior: algumas destas reivindicações ainda não foram conquistas, séculos depois.

E por que esse assunto está em um blog de viagens e gastronomia?

Na verdade este assunto deveria estar em todo lugar onde as mulheres estão presentes. Ou seja, este assunto deve estar em todo lugar! A partir do momento em que mulheres se sentem privadas de viajarem sozinhas ou de sentarem sozinhas na mesa de um bar, o assunto se torna necessário aqui.

Lembra o caso das turistas argentinas mortas no Equador? As duas viajavam juntas, foram mortas porque 2 caras tentaram estuprá-las e elas não permitiram. E aí os comentários foram do tipo: “que absurdo, elas estavam viajando sozinhas, sabem que é perigoso”. Não, elas não viajavam sozinhas, eram duas pessoas! E mesmo que estivessem sozinhas, é inadimissível que uma mulher não possa viver a vida, viajar e curtir sem um homem por perto. É triste que o foco principal seja o fato de estar sozinha, quando deveria ser a educação e respeito que estes homens não tiveram.

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Já li vários outros relatos de mulheres que foram assediadas dentro de ônibus de viagem, durante a madrugada acordaram com o homem ao lado tocando-a. Existem outros infinitos casos mais recorrentes, com o medo de pegar táxi, de sair e chegar tarde em casa, de estar andando em uma rua escura e vir um homem atrás, de sentar sozinha num bar e os homens se sentirem à vontade para se aproximar, como se a mulher que está sozinha num bar fosse vagabunda e por aí vai.

Infelizmente muita gente, mulheres inclusive, dizem que o feminismo é uma coisa ruim e não precisam dele. Quanto mais eu ouço isso, mais tenho certeza que ele é necessário. Acho que o que incomoda são essas palavras “novas”: empoderamento, sororidade. Tudo bem se você se sente incomodado com as palavras. Vamos pensar então no seguinte, não vamos mais pedir respeito às mulheres, vamos pedir respeito aos seres humanos. Não importa se é mulher ou homem, gay, hétero ou trans, magra ou gorda, loira, ruiva ou morena, se é negra ou branca. Vamos respeitar.

A mulher saiu de short curto? Isso não permite que você a toque! A mulher está andando sozinha a rua e já é de madrugada? Isso não permite que você faça cantadas e a amedronte. O que todo mundo precisa é de liberdade, de respeito, de individualidade. Ninguém deve jamais ferir o espaço do outro. Pessoa nenhuma tem o direito de invadir a alma, a vida, o corpo de ninguém.

Não é legal andar com medo. Não é legal se privar das coisas com medo. Não é legal deixar de fazer o que quer, onde quer e que horas quer, por medo. Neste Dia Internacional das Mulheres, que cada pessoa, homem e mulher, reflita sobre o assunto. Mulheres, juntas somos muito, muito fortes. Não acredite quando alguém diz que não podemos. Podemos sim! Podemos tudo o que quisermos.

Publicação feita pelo Ministério do Turismo.

Publicação feita pela Ministério do Turismo.

Não vamos deixar de viajar, seja sozinha ou acompanhada. Não vamos parar de sair de noite, seja sozinha ou acompanhada. Não vamos deixar de viver! E quer queiram ou não, serão obrigados a nos respeitarem. Não se amedrontem, a luta está só começando.

Dica: O maravilhoso site Think Olga elaborou uma cartilha, juntamente com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, com informações sobre o que pode ser considerado assédio sexual, quais as consequências e como e porque devemos denunciar. Vale a leitura tanto para mulheres quanto para os homens.

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